Arco digital

No primeiro dia, os participantes dialogarão com Célio Turino, secretário de projetos especiais do Ministério da Cultura e com representantes do Ministério das Comunicações e do Instituto Telemar.

“O Novos Brasis é um programa em que o Instituto Telemar realiza parcerias com organizações do terceiro setor para a execução de projetos sociais que utilizam tecnologia da informação com o objetivo de promover o desenvolvimento humano.

Na proposta do Índios On-line o ambiente virtual permite que diversos jovens indígenas possam trocar experiências, idéias e construir projetos que valorizem e preservem a sua cultura” , diz Samara Werner, gerente do Instituto Telemar.

Apesar de já existir desde 2004, em parceria com os ministérios da Cultura e das Comunicações, o Índios On-line está contando pela primeira vez com o apoio do Instituto Telemar.

Se antes promovia a inclusão digital em sete diferentes nações do Nordeste, agora a rede de comunicação vai estender sua aliança de estudo e trabalho para todo o Brasil.

A idéia do projeto, segundo o criador da ONG, Sebastian Gerlic, é qualificar ainda mais o índio que sofre com a discriminação racial e não tem acesso ao uso das tecnologias de informação e comunicação.

Nhenety, contador de histórias kariri-xocó, dá o seu depoimento: “O computador é nosso arco e flecha, ele é o arco digital, com ele melhoraremos nossa caça”.

No Índios On-line, 100 índios foram selecionados para participar, via internet, de aulas que tratam de cidadania, ética e desenvolvimento sustentável, entre outros temas.

O programa é dividido em quatro módulos que começam em novembro, com a duração de oito meses. O principal objetivo do projeto é transformar a inclusão digital em social. Uma rede de grupos de trabalho também foi criada para facilitar a comunicação entre os índios das diferentes tribos.

O primeiro módulo do Índios On-line vai tratar de cidadania, identidade e direitos humanos. Através de encontros semanais, os participantes aprenderão seus direitos para no futuro poderem usá-los como instrumentos de reivindicação.

Os encontros farão parte do programa Educação A Distância. “Metade desde módulo os índios farão conectados à internet. A outra metade será feita em trabalhos de campo, onde os índios irão mapear a realidade de seus povos. Eles irão pesquisar o número de índios, a renda de cada um, os problemas de saúde e educação, entre outras coisas”, explica Sebastian.

O coordenador do projeto diz ainda que pretende reunir material suficiente para publicar o livro “Cibercultura Indígena”. Segundo ele, os participantes também aprenderão a usar as ferramentas da internet para se comunicar com a FUNAI e a FUNASA, por exemplo.

A partir de março, estudantes da Universidade Federal da Bahia participarão do projeto, através de uma ACC (Atividade Curricular em Campo). No final do curso, os índios começarão a pensar o desenvolvimento sustentável, depois de receberem noções de economia, ecologia, capitalismo e progresso.

“Com isso eles criarão projetos próprios, pensando em como melhorar as condições de vida de suas comunidades, ao mesmo tempo em que atuam globalmente em favor do nosso planeta. Os projetos irão abranger as áreas de agroecologia, agricultura familiar e horta medicinal, entre outras coisas”, conclui Sebastian.

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eNT . Revista Eletrônica Nádia Timm . 2006