Programação da FLIP
Lançamentos:
Por Acaso, de Ali Smith - Companhia das Letras A Hora Azul, de Alonso Cueto - Objetiva Gangsta Rap, de Benjamin Zephaniah - Companhia das Letras Amor, Pobreza e Guerra –de Christopher Hitchens - Ediouro Santa Maria do Circo, de David Toscana - Casa da Palavra Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer - Rocco Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, de Mario de Carvalho - Companhia das Letras Tigre de Papel, de Oliver Rolin – Cosac Naify Bom Dia Camaradas, de Ondjaki - Ediouro O Último Leitor, de Ricardo Piglia - Companhia das Letras A nova face do império (Ediouro ) e Sultão em Palermo (Record), de Tariq Ali Feras de Lugar Nenhum; de Uzodinma Iweala - Nova Fronteira. A Altura e a Largura do Nada (Jaboticaba) e Segredo da Nuvem (Global), Ignácio de Loyola Brandão Modo de apanhar pássaros à mão, de Maria Valéria Rezende - Objetiva O Roubo do Silêncio, de Marcos Siscar, 7 Letras
RELANÇAMENTOS Ferreira Gullar; Edição Comemorativa 30 anos, CD com Gullar lendo Poema Sujo, José Olympio Vida Doida, Adélia Prado - Alegoria
PROGRAMAÇÃO: SINOPSES DAS MESAS
quarta-feira, 9 de agosto 21h30 - Show de abertura Maria Bethânia A FLIP 2006 abre em grande estilo, trazendo um dos maiores ícones da música brasileira. Dona de um timbre extraordinário, ao longo de mais de quarenta anos, Bethânia reinventou clássicos da música nacional e criou outros. Com estilo próprio e uma forte presença no palco, onde combina elementos da música, da literatura e do teatro, o show de Bethânia na FLIP não deixa de ser uma breve demonstração de sua trajetória artística e da união indissolúvel entre texto e canto.
quinta-feira, 10 de agosto 10h - Mesa 1 - Invenções do interior Maria Valéria Rezende, André Laurentino, Juliano Garcia Pessanha “Interior” é geografia, mas também subjetividade. Um lugar no mapa ou o fundo do homem. É entre esses interiores e seus conflitos que nasceram, física e literariamente, escritores tão distintos quanto os reunidos nesta mesa. Maria Valéria Rezende encena em O vôo da guará vermelha as esperanças e desejos de dois personagens que, vindos do interior, encontram-se na cidade grande, cenário da busca metafísica de Juliano Garcia Pessanha em livros como Ignorância do sempre. A paixão de Amâncio Amaro, estréia literária de André Laurentino, se passa no sertão pernambucano, mas é em outros interiores que circulam seus delicados personagens.
11h45 - Mesa 2 - Vozes em verso Astrid Cabral, Carlito Azevedo, Marcos Siscar Este encontro de três premiados poetas de dicção tão própria é uma boa oportunidade para se conhecer a diversidade da lírica brasileira contemporânea. A Amazônia de Astrid Cabral (De déu em déu, 1998, Rasos d’água, 2003) é uma presença forte em sua obra, que se distingue pelo olhar crítico sobre o cotidiano, o tom coloquial e a indagação metafísica. São esses traços também marcantes no trabalho de Carlito Azevedo (Collapsus Linguae, 1991, Sublunar, 2001) e de Marcos Siscar (O roubo do silêncio, 2006), cujas poesias procuram estar à altura do fervilhamento da vida e de seus múltiplos estranhamentos.
15h - Mesa 3 - Homenagem a Jorge Amado Myriam Fraga, Antonio Risério, Eduardo de Assis Duarte Para homenagear Jorge Amado (1912-2001), autor de clássicos inesquecíveis como Gabriela, cravo e canela e Dona Flor e seus dois maridos, e que estaria completando 94 anos neste dia, três intelectuais discutem seu legado literário. O antropólogo e poeta Antonio Risério, autor de Uma história da cidade da Bahia, é um grande conhecedor da cultura da cidade que Jorge Amado adotou como sua — Salvador. Eduardo de Assis Duarte é autor de Jorge Amado: romance em tempo de utopia. Escritora e biógrafa, Myriam Fraga é diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador.
17h- Mesa 4 - De onde vêm as palavras David Toscana, Mário de Carvalho “De onde surgiu a idéia para seu livro?” é a pergunta com que os escritores mais se deparam. Mário de Carvalho, um dos mais importantes romancistas portugueses da atualidade, falará sobre a inspiração que deu origem a alguns de seus trabalhos mais significativos. A seu lado estará David Toscana, principal nome da nova geração de escritores mexicanos. Entre os livros publicados por Mário de Carvalho, destacam-se o romance histórico Um deus passeando pela brisa da tarde e a sátira política Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto. Os títulos de David Toscana já lançados no Brasil são O último leitor e Santa Maria do Circo.
19h - Mesa 5 - Palavras da rua Benjamin Zephaniah Poeta rastafári, dj de reggae, dramaturgo, romancista, vegetariano convicto e mestre de kung-fu — Benjamin Zephaniah expressa suas idéias de maneira clara e direta, destacando-se no mundo literário britânico. Superou as dificuldades de crescer em meio à discriminação racial de seu país e levou a experiência das ruas a livros de poesia como Too black, too strong e City psalms, além de romances como Refugee boy e Gangstarap. Poeta premiado e leitor performático, Zephaniah ergue uma voz enérgica e solitária em defesa dos pobres e marginalizados da Grã-Bretanha, e compartilhará conosco um pouco do seu trabalho.
sexta-feira, 11 de agosto
10h - Mesa 6 - Prosa, política e história Alonso Cueto, Luiz Antonio de Assis Brasil, Olivier Rolin A boa literatura é um espelho que reflete nossas experiências individuais e coletivas. Três autores que utilizaram a ficção para recriar eventos históricos e atuais discutem o papel da literatura na compreensão da política e da história, tanto no passado como no presente. A margem imóvel do rio é um dos romances históricos de Assis Brasil em que, nas palavras de um crítico, “ao invés de sair do Brasil o autor entra nele como em uma geografia misteriosa”. Alonso Cueto é o autor de Grandes miradas e A hora azul, relatos perturbadores do Peru contemporâneo. Entre os romances de Olivier Rolin, que se baseiam em memórias da França nos anos 60, se encontram Porto Sudão e Tigre de papel.
11h45 - Mesa 7 - As matérias do romance Carlos Heitor Cony, Ignácio de Loyola Brandão, Miguel Sanches Neto Três escritores de gerações diferentes, cada um com seu estilo singular, encontram-se para ler e conversar sobre os caminhos de sua criação literária. A ficção de Carlos Heitor Cony (Pilatos, Quase-Memória) flerta com o memorialismo mas vai muito além dele, pois os temas que aborda vao do mais intimista e subjetivo ao político e histórico. A obra de Loyola se consolidou durante o regime militar, a que faz alusão numa prosa descarnada e fragmentária de Zero e Não haverá país nenhum, romances marcados por um realismo feroz e violento, reflexos também da brutalidade da vida brasileira. Em outro tom, mais memorialístico e compassado é o relato A veia bailarina. Na obra de Miguel Sanches Neto (Chove sobre a minha infância, Venho de um país obscuro) predomina a relação entre invenção e registro autobiográfico, trabalhada com lirismo.
15h - Mesa 8 - Conferência Zé Kleber: literatura e política Tariq Ali Mais uma vez a FLIP homenageia Zé Kleber (1932-1989), querido poeta, ator, músico, cineasta e político de Parati. Na palestra deste ano, o romancista e ensaísta Tariq Ali, principal intelectual de esquerda da Grã-Bretanha e editor da revista New Left Review, abordará a complexa relação entre as esferas literária e política. Qual seria a função da literatura, já considerada um veículo de mudança política e social nos dias de hoje? Até que ponto a política se reflete na ficção? Os trabalhos de não-ficção mais recentes de Tariq Ali são Confronto de fundamentalismos e Bush na Babilônia. As novas faces do império será lançado na FLIP.
17h - Mesa 9 - Profissão repórter: a arte da reportagem Alma Guillermoprieto, Lillian Ross O primeiro evento deste ano dedicado à arte da reportagem contará com duas grandes jornalistas, que expressarão seus pontos de vista sobre o papel do repórter envolvido com grandes eventos, instituições e personagens de nossa época. Os livros da jornalista mexicana Alma Guillermoprieto incluem Samba e Dancing with Cuba. Ela conversará com Lillian Ross, referência lendária do jornalismo narrativo e baluarte da revista norte-americana The New Yorker, que escreveu clássicos como Reporting e Filme.
19h - Mesa 10 - A arte de narrar Toni Morrison Nenhum outro romancista retratou a realidade dos negros norte-americanos com tanta força e sensibilidade quanto Toni Morrison, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 1993. Na entrega do prêmio, a Academia Sueca louvou a “força visionária e o significado poético” de seus romances, que trazem à luz um aspecto essencial da formação dos Estados Unidos. Nesta ocasião notável, a autora de Amor, Os cânticos de Salomão e Amada — escolhido recentemente como a melhor obra norte-americana de ficção dos últimos 25 anos — discorre sobre a literatura e sua capacidade inigualável e duradoura de informar, entreter, enriquecer e iluminar.
sábado, 12 de agosto
10h - Mesa 11 - Do amor e outros demônios André Sant’anna, Lourenço Mutarelli, Reinaldo Moraes Amor, sexo, escatologia. Erotismo e humilhação. Desbunde e melancolia. Narradores anônimos, míopes ou fragmentários. A prosa dos escritores Reinaldo Moraes (Tanto faz, Umidade), André Sant’anna (Amor, O paraíso é bem bacana) e do premiado cartunista Lourenço Mutarelli (O cheiro do ralo, O natimorto) se desenvolve num fluxo ora caudaloso, ora taquigráfico, expondo a superficialidade, a violência, os impasses e os paradoxos das relações humanas.
11h45 - Mesa 12 - Muitas vozes Ferreira Gullar, Mourid Barghouti Histórias sobre o exílio e o regresso sempre acompanharam a humanidade. Este painel reúne dois poetas extraordinários que souberam fazer da experiência do tempo passado, do banimento e do risco da perda das raízes matéria viva do poema. Há trinta anos, Ferreira Gullar escrevia no exílio o Poema sujo, uma reflexão vigorosa e penetrante sobre a infância, a perda e a saudade. Mourid Barghouti viveu três décadas distante de sua terra, a Palestina, antes de finalmente retornar. Em Eu vi Ramallah, o autor narra as memórias de seu retorno de modo lírico e comovente.
15h - Mesa 13 - Profissão repórter: na linha de frente Christopher Hitchens, Fernando Gabeira Uma linha tênue separa a palavra impressa e o engajamento na obra de dois proeminentes jornalistas, que se encontram para falar da motivação incessante para relatar fatos e defender esse direito. Uma das figuras mais polêmicas da Grã-Bretanha, e eleito um dos cinco maiores intelectuais da atualidade, Christopher Hitchens (Amor, pobreza e guerra) é famoso por rejeitar idéias pré-concebidas para atingir o cerne das questões que nos afetam nos tempos de hoje. No mesmo patamar está o escritor e político brasileiro Fernando Gabeira (O que é isso companheiro?), conhecido tanto por sua militância como por suas reportagens.
17h - Mesa 14 - O último leitor Ricardo Piglia A crítica literária pode ser uma forma de autobiografia? O escritor argentino Ricardo Piglia propõe essa questão em suas notáveis reflexões sobre as grandes obras da literatura. “Escrever ficção muda a maneira como lemos, e a crítica que um escritor escreve é o espelho secreto de sua obra”, diz Piglia em Formas breves. Neste evento excepcional, um dos mais respeitados romancistas e críticos literários da Argentina, autor de Respiração artificial e O último leitor, avalia em que medida “o crítico encontra a sua vida no interior dos textos que lê”.
19h - Mesa 15 - Nas fronteiras da narrativa Ali Smith, Jonathan Safran Foer Para cada crítico que lamenta o estado do romance moderno surge um romancista capaz de demonstrar as infinitas possibilidades de renovação desse gênero literário. Dois dos mais criativos autores da literatura em língua inglesa lêem seus trabalhos e mostram como o futuro do romance depende da disposição dos autores para afrontar suas fronteiras formais. O livro de estréia de Jonathan Safran Foer, Tudo se ilumina, e sua continuação, Extremamente alto, incrivelmente perto, desafiam as convenções da ficção contemporânea. Em romances como Hotel World e o premiado Por acaso, Ali Smith explora os limites da narrativa literária.
domingo, 13 de agosto
11h - Mesa 16 - Bagagem Adélia Prado Arte, ciência, filosofia e religião nascem da nossa busca por respostas a perguntas fundamentais relacionadas à gratuidade de nossa existência. Porém, argumenta Adélia Prado, somente a arte e o misticismo, que ultrapassam a razão e nos tocam onde realmente interessa, as emoções, dão um acesso abrangente à vivência humana. Felicidade e tristeza resultam do ato de sentir emoções, não de entendê-las. São os afetos que movem, comovem. Essa é a bagagem que carregamos e sobre a qual falará uma das mais proeminentes poetisas brasileiras.
15h - Mesa 17 - Experiências Nicole Krauss, Edmund White Como a experiência individual se reflete na literatura? Onde termina a memória e começa a imaginação? Dois escritores norte-americanos que exploram seus passados na criação de ricos trabalhos ficcionais e autobiográficos examinam os efeitos das experiências pessoais que viveram sobre sua escrita. A nova-iorquina Nicole Krauss é autora dos romances Man walks into a room e A história do amor, ambos muito elogiados pela crítica. Edmund White, que escreveu romances semi-autobiográficos como Um jovem americano e O homem casado, publicou uma biografia de Jean Genet e, mais recentemente, um livro de memórias, My lives.
16h30 - Mesa 18 - África, Áfricas Ondjaki, Uzodinma Iweala Para aqueles que conhecem a África somente por meio da mídia, a região parece ser pouco mais que uma sucessão de crises. Dois jovens escritores nos ajudam a conhecer melhor a realidade de países destruídos pela guerra, em romances que mostram a face humana do continente. O nigeriano-americano Uzodinma Iweala é o autor de uma narrativa admirável sobre uma criança-soldado, Feras de lugar nenhum, um estudo sobre as maneiras como o conflito armado aniquila a inocência. Em livros como Bom dia camaradas e Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki explora com lirismo as memórias da infância em uma Angola pós-guerra civil.
18h15 - Mesa 19 - Livros de cabeceira Ali Smith, Antonio Risério, Benjamin Zephaniah, Carlos Heitor Cony, David Toscana, Edmund White, Jonathan Safran Foer, Mário de Carvalho No encerramento da quarta edição da FLIP, trazemos mais uma vez um banquete com o melhor da literatura. Os autores convidados compartilham com o público seus livros prediletos, livros lidos e relidos, companhias inseparáveis. Termina a FLIP 2006. Começa a de 2007.
HOMENAGEM A JORGE AMADO Em suas edições anteriores, a Festa Literária Internacional de Parati prestrou tributo a Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Em 2006, reiterando o seu compromisso de mostrar a riqueza da literatura brasileira, a FLIP homenageia Jorge Amado (1912-2001).
Jorge Amado, o mais popular dos escritores brasileiros, é também o mais conhecido e lido no exterior. Sua obra transcendeu os limites do regionalismo modernista a que foi identificada num primeiro momento, para fazer da Bahia um microcosmo do país, em sua combinação de costumes tradicionais, humor popular, sincretismo religioso, sensualidade e crítica social. Para reiterar a relação afetiva de Jorge Amado com a Bahia, a FLIP convidou outra baiana ilustre: Maria Bethânia. Na confluência de seus mundos estão a Bahia, o Brasil.
Na Tenda dos Autores, no dia em que o escritor completaria 94 anos, uma mesa-redonda com Myriam Fraga, Antonio Risério e Eduardo de Assis Duarte será dedicada a discutir os caminhos da prosa generosa de Jorge Amado.
O universo de Jorge Amado também envolveu os professores e alunos que participam durante todo o ano do Programa Educativo Cirandas de Parati. A programação infantil e juvenil que acontece na Tenda Azul, carinhosamente conhecida como FLIPINHA, também fará várias homenagens ao escritor.
OFICINA FLIP
O compromisso da FLIP em apresentar o melhor da literatura não se restringe ao melhor da ficção. Em todas as edições da Festa, críticos, ensaístas e jornalistas têm sido tão importantes para o debate de idéias como os romancistas, poetas e contistas. Para enfatizar a importância da escrita factual, a FLIP 2006 terá uma programação especial para celebrar a arte da reportagem.
A fusão de reportagem investigativa e procedimentos literários remonta a Balzac. Mas foram escritores como Truman Capote, Tom Wolfe e Lillian Ross que nos anos 1950 elevaram o jornalismo ao patamar da literatura de ficção, no que se convencionou chamar new journalism. Consagrado por revistas como The New Yorker, o novo estilo ancora-se na experiência pessoal e na subjetividade do autor, combinando a qualidade da escrita com a precisão da reportagem, numa fórmula que permanece como referência para os que se aventuram no gênero.
Em parceria com a revista Piauí, a FLIP convidou três dos maiores nomes do jornalismo narrativo para conversar com o público durante a programação que acontece na Tenda dos Autores. E convidou também o jornalista Silvio Ferraz, colaborador do site NoMinimo e do jornal O Globo, e professor e presidente no Instituto de Jornalismo da UniverCidade, no Rio de Janeiro, para conduzir uma oficina para 40 aspirantes a jornalistas ou jovens profissionais do jornalismo.
Apoiado em sua experiência como correspondente internacional do Jornal do Brasil, de editor de economia de Veja e analista de assuntos internacionais do jornal O Globo, Silvio Ferraz vai transformar uma sala de aula numa verdadeira redação, onde, durante três dias, estudantes de jornalismo vão aperfeiçoar sua capacidade de narrar e sua habilidade jornalística. Ao final da oficina, um júri escolherá seis participantes para um estágio de dois meses na revista Piauí.
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eNT . Revista Eletrônica Nádia Timm . 2006 |