Arte e Cultura em Trujillo

por Aidenor Aires

 


Nos dias 20 a 26 de janeiro participo, com vários companheiros de Goiânia, do Primeiro Encontro Internacional de Arte e Cultura, em Trujillo, Peru.

É mais um esforço para a integração latino-americana. Durante cinco séculos, as elites, os governos têm-se esforçado para separar povos com origens e destinos comuns.

É mais fácil ir à Europa, Estados Unidos, falar francês, inglês, do que ir à Argentina ou falar o espanhol. Nossos artistas e intelectuais têm-se especializado em virar as costas para este continente.

É sempre a Europa, a gloriosa, como dizia o vate baiano. Abaixo do Equador é terceiro mundo, terra de coronéis, mestiços e banana.

Mas alguma coisa está mudando. Até o bate-boca dos líderes do Mercosul sugere que a América Latina está revolvendo suas entranhas.

Mesmo as soluções surrealistas em voga na Venezuela, na Bolívia e aqui, na terra do pau, Brasil, querem dizer que já não basta o receituário do chamado Primeiro Mundo.

De lá recebemos a filosofia, a ciência, o cristianismo, a sífilis, a inquisição, a escravidão, a intolerância religiosa, racial, e o desprezo por nós mesmos.

Estamos cultivando a utopia de que nossas diferenças, necessariamente, não nos dividem.

Também não nos separam do mundo. Estamos produzindo coisas interessantes. Nossos países exportam minérios, carne, soja, café, algumas tecnologias.

Mas também arte, literatura, música. Talvez a única coisa nova no mundo, seja a nossa presença. Não podemos exportar radicalismos religiosos nem raciais. Aqui tudo é diversidade.

Nossas arrelias de vizinhos não passam de competições de chistes e piadas. Nenhuma guerra de cem anos, nada de nazismo. Nossos ditadores sequer foram levados a sério por eles mesmos.

Tiranos de operetas. Caudilhos ridículos e cruéis.

Tenho viajado por alguns países da América do Sul. Vejo as pessoas se abraçando. Se é tão difícil para nossa diplomacia e nossas lideranças essa integração, não o é para as pessoas. Vamos tecendo redes de amizade, maltratando um idioma estranho, o portunhol. Mas nos entendemos.

Agora estou em Trujillo, Peru, para o Encontro de Arte e Cultura. O convite veio do poeta Wellington Castillo Sanchez, da Casa de Cultura César Vallejo, da Província de Santiago de Chuco.

Também de Juan Félix Cortês Espinosa, da Casa Juan Félix Espinosa e de Angel Lavalle Dios, da Frente de Escritores – Região de la Libertad, província de Trujillo. A

lém da discussão de temas ligados às artes, à literatura e à história, as delegações dos países participantes mergulham na realidade da heráldica cidade de Trujillo, uma das mais antigas do Peru, testemunho vivo da colonização espanhola e da rica história do povo peruano.

A região é rica em testemunhos de culturas pré-incaicas, monumentos arquitetônicos e expressões culturais: dança, folclore, literatura, teatro e artes plásticas.

No próximo texto vou dar mais informações sobre a agitada agenda do encontro a participação dos goianos. Aos poucos vamos diminuindo as distâncias. Sem esquecer nossas diferenças, o projeto é construir um Mercosul de amizade e cultura.

26/01/2007

 


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